Vídeo do Youtube: http://www.youtube.com/watch?v=52NT9cSWC_8
quinta-feira, 14 de março de 2013
Racionais MC's: A vida é desafio
Vídeo do Youtube: http://www.youtube.com/watch?v=52NT9cSWC_8
terça-feira, 12 de março de 2013
Consciência negra o ano todo
O mês da consciência negra é só em novembro, mas as relações raciais e o respeito à diversidade devem ser trabalhados o ano todo. Confira como tratar essas questões em um especial da editora abril, na revista Nova Escola com mais de 35 textos. Acesse o site: http://revistaescola.abril.com.br/consciencia-negra/
Boa Leitura.
Revista Carta Capital entrevista: Kabengele Munanga
Entrevista - Kabengele Munanga- Para acessar a entrevista clique no link abaixo:
Carta Capital
30.12.2012 08:28
“A educação colabora para a perpetuação do racismo”
a Adriana Marcolini
Nascido no antigo Zaire, atual República Democrática do
Congo, em 1942, o professor de Antropologia da Universidade de São
Paulo Kabengele Munanga aposentou-se em julho deste ano, após 32 anos
dedicados à vida acadêmica. Defensor do sistema de cotas para negros
nas universidades, Munanga é frequentemente convidado a debater o tema
e a assessorar as instituições que planejam adotar o sistema. Nesta
entrevista, o acadêmico aponta os avanços e erros cometidos pelo Brasil
na tentativa de se tornar um país mais igualitário e democrático do
ponto de vista racial.
CartaCapital: O senhor afirma que é difícil definir quem é negro no Brasil. Por quê?
Kabengele Munanga: Por causa do modelo
racista brasileiro, muitos afrodescendentes têm dificuldade em se
aceitar como negros. Muitas vezes, você encontra uma pessoa com todo o
fenótipo africano, mas que se identifica como morena-escura. Os
policiais sabem, no entanto, quem é negro. Os zeladores de prédios
também.
CC: Quem não assume a descendência negra introjeta o racismo?
KM: Isso tem a ver com o que chamamos
de alienação. Por causa da ideologia racista, da inferiorização do
negro, há aqueles que alienaram sua personalidade negra e tentam buscar
a salvação no branqueamento. Isso não significa que elas sejam
racistas, mas que incorporaram a inferioridade e alienaram a sua
natureza humana.
Sem
cotas raciais, as políticas universalistas não são capazes de diminuir
o abismo entre negros e brancos no País, afirma o especialista
CC: O mito da democracia racial,
construído por Gilberto Freyre e vários intelectuais da sua época,
ainda está impregnado na sociedade brasileira?
KM: O mito já desmoronou, mas no
imaginário coletivo a ideia de que nosso problema seja social, de
classe socioeconômica, e não da cor da pele, faz com que ainda
subsista. Isso é o que eu chamo de “inércia do mito da democracia
racial”. Ele continua a ter força, apesar de não existir mais, porque o
Brasil oficial também já admitiu ser um país racista. Para o brasileiro
é, porém, uma vergonha aceitar o fato de que também somos racistas.
CC: O senhor observa alguma evolução nesse cenário?
KM: Houve grande melhora. O
próprio fato de o Brasil oficial se assumir como país racista, claro,
com suas peculiaridades, diferente do modelo racista norte-americano e
sul-africano, já é um avanço. Quando cheguei aqui há 37 anos, não era
fácil encontrar quem acompanhasse esse tema. Hoje, a questão do racismo
é debatida na sociedade.
CC: O sistema de cotas deve ser combinado com a renda familiar?
KM: Sempre defendi as cotas na
universidade tomando como ponto de partida os estudantes provenientes
da escola pública, mas com uma cota definida para os afrodescendentes e
outra para os brancos, ou seja, separadas. Por que proponho que sejam
separadas? Porque o abismo entre negros e brancos é muito grande. Entre
os brasileiros com diploma universitário, o porcentual de negros varia
entre 2% e 3%. As políticas universalistas não são capazes de diminuir
esse abismo.
CC: Somente os estudantes vindos da escola pública são incluídos nas cotas?
KM: Sim, com exceção da Universidade de Brasília (UnB).
Lá, as cotas não diferenciam os que vêm da escola pública e os da
particular. Porém, em todas as universidades o critério é uma
porcentagem para os negros, outra para os brancos e outra para os
indígenas, todos provenientes da escola pública. Dessa forma, os
critérios se cruzam: o étnico e o socioeconômico. Tudo depende da
composição demográfica do estado. Em Roraima, por exemplo, sugeri que
se destinasse um porcentual maior para a população indígena,
proporcional à demografia local.
CC: Quantas universidades adotaram o sistema de cotas no Brasil?
KM: Cerca de 80. É interessante
observar que há muita resistência nas regiões Norte e Nordeste. Lá eles
ainda acreditam que a questão seja apenas social.
CC: O sistema deve passar por avaliação para definir a sua renovação ou suspensão?
KM: Qualquer projeto social não deve
ser por tempo indeterminado. No sistema em vigor, algumas universidades
estabeleceram um período experimental de 10 anos, outras de 15.
Posteriormente, vão avaliar se seguem adiante.
CC: Em sua opinião, por que a Universidade de São Paulo ainda não aprovou as cotas?
KM: A USP poderia ter sido a primeira
universidade a debater o sistema, porque aqui se produziram os
primeiros trabalhos intelectuais do Sudeste que revelaram o mito da
democracia racial. Como é uma universidade elitista, ficou presa à
questão de mérito e excelência. Não é oficial, mas está no discurso dos
dirigentes. A outra refere-se à questão do mérito. Eles ainda acreditam
que o vestibular tradicional seja um princípio democrático. De certo
modo acredito que a Universidade de São Paulo ainda esteja presa ao
mito da democracia racial. Entre as universidades paulistas, apenas a
Federal de São Paulo adotou as cotas. A Unesp também está de fora.
CC: O racismo é uma ideologia. De que forma podemos desconstruí-la? Qual o papel da escola?
KM: Como todas as ideologias, o
racismo se mantém porque as próprias vítimas aceitam. Elas o aceitam
por meio da educação. É por isso que em todas as sociedades humanas a
educação é monopólio do Estado. Falo da educação em sentido amplo, ou
seja, aquela que começa no lar. A socialização começa na família. É
assim que, enquanto ideologia, o racismo se mantém e reproduz. A
educação colabora para a perpetuação do racismo.
CC: A escola brasileira está preparada combater o racismo?
KM: As leis 10.639 e 11.645 tornam
obrigatório o ensino da cultura, da história, do negro e dos povos
indígenas na sociedade brasileira. É o que chamamos de educação
multicultural. As leis existem, mas há dificuldades para que funcionem.
Primeiro é preciso formar os educadores, porque eles receberam uma
educação eurocêntrica. A África e os povos indígenas eram deixados de
lado. A história do negro no Brasil não terminou com a abolição dos
escravos. Não é apenas de sofrimento, mas de contribuição para a
sociedade.
CC: Uma estudante angolana foi assassinada recentemente em São Paulo, mas a mídia não deu a devida atenção. Por que isto acontece?
KM: A imprensa é um microcosmo da
sociedade e ignora, ou finge ignorar, o racismo. Por isso, quando
ocorre um fato desta natureza, não o julga devidamente. Mas a mídia
brasileira também não dedica espaço para o continente africano.
segunda-feira, 11 de março de 2013
VÍDEO - Caminhos da reportagem: a situação do negro no Brasil
Após quase 125
anos depois da abolição da escravatura, o número de brasileiros que se
declara preto ou pardo é maior do que o de brancos: o Brasil tem se
assumido como um país negro também. O Caminhos da Reportagem discute a
situação do negro no Brasil através de números que mostram como ainda é
preciso superar a desigualdade de renda e de acesso à educação, a
pobreza, a violência e encarar de frente o preconceito. Este programa se deu para as
comemorações da Semana da Consciência Negra, o programa vai mostrar a
violência e a indignação cantadas no rap de Salvador, histórias de
superação de famílias e um porteiro que abraçou os livros e hoje é
desembargador. E, ainda, um menino de rua que se tornou professor, uma
editora de livros que investe na temática afro e o grupo de teatro
Olodum, companhia que cria espetáculos a partir da tradição, histórias
e temática negra. Reportagem: Luciana Barreto Edição: Isabelle Gomes
Produção: Vivian Carneiro e Laine Fabrício
Presente em: http://www.youtube.com/watch?v=EadJFSGWfKc
quinta-feira, 7 de março de 2013
quarta-feira, 6 de março de 2013
Concurso de Planos de Aula Aplicando a lei 10.639/03 - Geledés
Concurso de Planos de Aula Aplicando a lei 10.639/03 - Geledés
Sobre Educação Física e Intervenção Antirracista
Sobre Educação Física e Intervenção Antiracista
Extraído do site: Kilombagem
José Evaristo Silvério Netto
(opinião do autor)
Educação Social em Destaque:
Pedagogia Social Como Teoria Geral, Afrocentricidade Enquanto
Perspectiva Analítica e Orientação Política, e Esporte Educacional
Enquanto Metodologia de Trabalho
Há
algum tempo venho refletindo sobre as dificuldades em implementar uma
educação antirracista dentro e fora das escolas, como processos para o
empoderamento da população em situação de vulnerabilidade social. Muito
se discute e se escreve sobre esta matéria, e devido à transpiração de
muitos estudiosos e dos movimentos negros e outros movimentos
antirracistas, hoje temos disponível uma ampla literatura sobre a
história e cultura afro-brasileira e africana, e sobre a contribuição
da população negra africana e afrodiaspórica para o desenvolvimento da
humanidade. No sentido de descortinar e desconstruir as bases racistas
científicas, políticas e culturais, muitas linhas de pesquisa em
diversas áreas de concentração de conhecimento estão sendo construídas,
para investigações de diversas naturezas.
Porém, embora observemos um aumento no
número de pesquisas sobre a cultura negra africana e afrodiaspórica,
sobre o racismo e seus impactos, e pesquisas correlatas que têm como
proposta criar acúmulo teórico e jurisprudência combativa frente às
desigualdades sociais, percebo que ainda é incipiente na literatura a
incidência de construtos teóricos robustos orientados à implantação e
implementação de uma efetiva educação antirracista que esteja alinhada
às demandas da realidade brasileira para a superação dos problemas
sociais.
Parece existir uma inércia hegemônica
no âmbito das ações sociais e condutas que inviabilizam, ou pelo menos
prejudicam bastante a implementação efetiva de uma práxis
contra-hegemônica, essencialmente antirracista. Em qualquer ambiente,
seja na educação pública e privada, no mercado de trabalho em
instituições públicas e empresas privadas, no cenário esportivo, no
terceiro setor, e até no cenário político nas esferas executiva,
legislativa, e no judiciário, o que percebemos são produções culturais
e condutas orientadas pelo capitalismo e racismo, de modo que qualquer
práxis contra-hegemônica cause grande incômodo e sérios desgastes e
colapsos nas relações interpessoais e institucionais. Isso significa
dizer que tanto as instituições quanto as pessoas, possuem o racismo e
o capitalismo enquanto engrenagens que operam e condicionam os
processos de interpretação dos sentidos e da realidade, avaliação e
construção de cultura, sentidos e ação social e institucional, de forma
consciente e subconsciente (computacional), como um sistema de
retroalimentação complexo.
Acredito que a conscientização é um
processo importante para que seja possível enfrentar as mazelas
sociais, em especial o racismo e seus efeitos. Um conceito que têm
vigorado há muito tempo nos círculos dos movimentos negros, e há pouco
tempo na academia no Brasil, é o de Consciência Negra, entendida como
possibilidade de as pessoas negras se situarem no tempo e no espaço
social, entendendo os processos de geração das desigualdades sociais
que se apoiam na etnia/cor. A problemática se estabelece na medida em
que, apesar de muito debate sobre Consciência Negra, pouco se produziu
sobre tecnologias educacionais para o seu desenvolvimento.
Entendo que a Educação é um processo
que nos permite apreender conhecimentos, introjentando-os,
identificando-os como importantes e, consequentemente, mudando nossa
interação com o mundo, com as pessoas, transformando nossa produção
cultural e ação social, como resultado desta introjeção, identificação
e integração dos conhecimentos incorporados ao nosso espírito e
consciência. Mas na área de concentração de estudos da Educação, ou da
Pedagogia, o que se têm disponível de forma geral são construtos
teóricos universalistas que não conseguem problematizar com
profundidade as fontes das desigualdades sociais que se complexificam,
ganhando novos contornos e criando novas tecnologias de manutenção do status quo
e das desigualdades entre as populações. Enquanto o racismo, para citar
uma fonte de desigualdade social, se imbrica nos mecanismos de produção
cultural humana de maneira individual e institucional, determinando
padrões de pensamento, discursos, e ações sociais discriminatórias
individuais e institucionais, as pedagogias críticas que deveriam
problematizar esta questão encontram dificuldades por falta de
consistência nas dimensões teórica, filosófica, política e
metodológica, para o seu desenvolvimento junto aos profissionais da
educação. Mais do que falta de consistência, o que percebo é uma
ausência de transversalidade entre estas dimensões, para lidar com a
complexidade dos fenômenos sociais e, nestes, empreender uma educação
que seja significativa não apenas para uma parcela diminuta da
população, mas para ela toda, uma vez que se potencialize igualdade de
oportunidades e superação do racismo, e das outras engrenagens de
dominação.
No exercício de refletir sobre as
questões supracitadas, começo a entender que talvez seja pertinente a
tentativa de realizar aproximações teóricas, utilizando construtos
importantes e coerentes com um projeto político societário que reze
pela superação dos fatores limitantes ao desenvolvimento humano, à
igualdade em oportunidades, ao exercício pleno de cidadania, e à
participação de todas as pessoas. Aproximações teóricas utilizando
construtos orientados às especificidades das relações entre cor/etnia,
classe social, religião, e outras características sociodemográficas que
hoje são determinantes para a manutenção das diferenças e violências
sociais. Percebo que a Educação Social pode ser um processo de
empoderamento importante das populações vulneráveis, e que a Pedagogia
Social dentro da perspectiva brasileira através das produções do
professor Roberto da Silva, trás um background teórico
importantíssimo considerando suas linhas de pesquisa, a citar domínio
sociocultural, domínio sociopedagógico e domínio sociopolítico, sendo,
portanto, uma Teoria Geral da Educação Social. Acredito que a
afrocentricidade enquanto orientação e perspectiva de análise da
realidade, segundo Kete Molefi Assante, pode ser um grande aliado da
Pedagogia Social voltada a uma educação antirracista. E finalmente,
pensando na Educação Física enquanto um componente curricular que têm
como uma das linhas de intervenção a corporeidade e a cultura corporal,
temos a metodologia de trabalho do Esporte Educacional e suas
tecnologias de ensino e aprendizagem que podem ser utilizados para a
operação do processo educativo.
Desta forma, vislumbro a possibilidade
em desenvolver um debate sobre a Educação Física, que é a minha área
profissional, dentro da Pedagogia Social, com vistas à superação do
racismo e apoiada também à análise crítica afrocentrada da realidade
social, política, histórica, do negro no Brasil.
José Evaristo Silvério Netto
Graduação
em Educação Física pela Universidade Estadual Paulista - UNESP,
mestrado em Educação Física pela Universidade Estadual de Londrina.
Atua profissionalmente como consultor técnico do Departamento
Pedagógico (Núcleo Pedagógico Multidisciplinar) do Grêmio Recreativo
Barueri (GRB), e como professor da rede de ensino na Secretaria de
Educação de Osasco - SP. Em Barueri, esta à frente dos estudos
sociodemográficos envolvendo jovens engajados nas atividades dos
Núcleos de Formação Esportiva do GRB. Participa do grupo de pesquisa em
Pedagogia Social, na Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo
- FEUSP, onde pretende fazer o doutorado em Educação.
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